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Mestres avaliam o VI Festival Música na Ibiapaba


A lógica é a seguinte: juntem mais de 1000 pessoas com vontade de aprender sob a orientação de um quadro de mestres da música do Ceará e do Brasil e vejamos, em oito dias, qual é o resultado. O VI Festival Música na Ibiapaba realizou, desde o último sábado (25), um total de 72 oficinas de aprendizado musical intensivo. O grande número de alunos – além dos cearenses, vindos da Bahia, Piauí, Paraíba, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul – tem uma justificativa evidente: a oportunidade rara de cursar com nomes referenciais da música brasileira e local como Paschoal Meirelles, Nelson Faria, Radegundis Feitosa, Nélio Costa, Heriberto Porto, Ricardo Pontes, entre outros – um total de 28 mestres. Após oito dias, parte dos professores “reincidentes” na Ibiapaba avalia a evolução do nível das oficinas e divide suas impressões da experiência atual.

“Com o tempo de trabalho dá para fazer muita coisa. E o melhor é que os alunos se empenham muito fora da sala de aula: ensaiam, estudam e no outro dia voltam e você já precisa preparar outra coisa. O ponto principal do Festival é a vontade de aprender. A essa altura (no final das oficinas) os professores já estão bem cansados, o ritmo é puxado. Mas o resultado é muito gratificante”, observa o coralista Hiran Monteiro (BA). O baiano conduz a oficina “A Voz Como Instrumento” pelo segundo ano consecutivo. “Que é novidade para muita gente. Na turma eu tenho professores de canto, de coral e pessoas apenas começando. Então não pode faltar um assunto em comum a todos”, ressalta.

Encontrar o “assunto comum” a todos é o desafio de Hiran e de outros professores, conforme atesta o baixista Miquéias Santos (CE). “O desafio é conseguir nivelar positivamente, porque aí a turma avança muito. No começo você encontra algum aluno tímido e percebe que o cara tem talento. Em pouco tempo ele já está tocando muito bem. Tem gente que vem com fome de aprender”, avalia.

A pré-disposição pelo aprendizado é, segundo parte dos mestres, um comportamento da maioria dos jovens que se inscreveu nas oficinas. “O jovem é o público-alvo, eu diria, embora em uma das minhas turmas, por exemplo, haja um maestro de 60 anos, vindo de Ubajara (CE). Tem professores querendo se reciclar. Gente de bom nível é atraída por professores de alto nível”, observa o flautista Heriberto Porto (CE), professor que participou de todas as edições do Festival até então. Outro que voltou a Ibiapaba, após lecionar no ano passado, é o baterista carioca Paschoal Meirelles – integrante do renomado grupo Cama de Gato (RJ). Ele revela que o mestre “reincidente” tem a vantagem de acompanhar a evolução de alguns alunos. “Tive uns seis alunos que repetiram a dose comigo. Neles, senti um interesse, uma boa evolução. Eu trouxe material subseqüente justamente pensando nessa situação. O tempo é curto e o aprendizado demanda estudos, acompanhamento. Mas o grande foco é perceber que estes alunos vêm com uma limitação e nós estamos aqui para acrescentar algo além disso”, define o músico.

O Festival é uma ação de política pública de formação do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, voltada para o desenvolvimento e valorização da música brasileira popular. A realização é do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura/IACC.



SERVIÇO
VI Festival Música na Ibiapaba – Até 1º de agosto em Viçosa do Ceará. Informações sobre Viçosa do Ceará – Secretaria da Cidade: (88)3632.1580. Informações sobre o Festival - Instituto de Arte e Cultura do Ceará: (85)3488.8601. E-mail: presidencia@dragaodomar.org.br.




29/07/2009

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