O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura é uma infra-estrutura completa para
o exercício do lazer e da arte, objetivando democratizar o acesso à cultura,
gerar novos empregos e movimentar o mercado turístico cearense.
São 30 mil metros quadrados de área para vivenciar a arte e a cultura, com atrações
como o Memorial da Cultura Cearense, o Museu de Arte Contemporânea, o Teatro
Dragão do Mar, as salas de cinema do Espaço Unibanco Dragão do Mar, o anfiteatro
Sérgio Mota, um Auditório e o Planetário.
Visitantes de todas as localidades e classes sociais, das mais variadas
faixas etárias e de renda visitam o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. A premissa básica é a de que a programação artístico-cultural desenvolvida seja
sempre plural, diversificada, inovadora e de alta qualidade, sofisticada até. Porém, o acesso é democratizado, permitindo que a população de baixa renda possa
ter acesso aos bens simbólicos ofertados.
Assim é que, alunos de escolas públicas e pessoas de comunidades carentes acessam
gratuitamente ao Memorial, Museu e Planetário, desde que agendem previamente. Aos domingos a visitação ao Memorial e Museu é gratuita para toda população.
A maioria dos eventos musicais é aberta ao público ou cobrada preços simbólicos,
bem abaixo daqueles praticados pelo mercado.
Há ainda, espaços de lazer e entretenimento que estão abertos para toda a população
todos os dias de funcionamento do Centro Dragão do Mar: Praça Verde Historiador Raimundo Girão, Espaço Rogaciano Leite F0,
Espaço sob o Planetário, Praça Almirante Saldanha, etc. O Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria da Cultura, demonstrou ousadia e visão de futuro,
ao construir o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
Não seria precipitado afirmar, com razoável grau de certeza, que se trata de
um dos investimentos mais bem sucedidos em cultura no Estado e no Brasil neste
final de século.
A arquitetura do Centro Dragão do Mar se caracteriza por suas linhas arrojadas, concebidas pelos arquitetos Delberg Ponce de Leon e Fausto Nilo. Construído em uma antiga área portuária, o centro cultural possui ainda, em seu entorno, uma série de bares, restaurantes, lojas de artesanato e teatros. Sua estética arrojada contrasta-se com casarões do início do século.
O Dragão do Mar na história do Ceará
Liberdade. A palavra de ordem dos idos de 1800, no
Ceará, também nomeia a jangada que pertencia
Francisco José do Nascimento, o Chico da Matilde.
A jangada foi levada à capital do Império
a bordo de um navio mercante, como símbolo da
resistência popular abolicionista nas terras de
Alencar. O líder dos jangadeiros cravou seu nome
na história como o lendário Dragão
do Mar, deflagrando a greve dos seus companheiros. Sua
ousadia e coragem paralisaram o mercado escravista no
porto de Fortaleza nos dias 27, 30 e 31 de janeiro de
1881. Chico, filho da Matilde tinha, então, 42
anos.
Boa parte dos livros de História omite que outros
ancoradouros e até mesmo esparsas lideranças
da elite econômica do Estado tomaram posição
idêntica e interromperam o fluxo de escravos em
suas regiões e nas fronteiras com outras províncias
do Nordeste, como nos conta a História do Ceará,organizado
pela socióloga Simone de Souza (p.179). Antes
e depois da greve que eternizou o Dragão do Mar,
movimentos libertários como a “Sociedade
Perseverança e Porvir”, a “Sociedade
Cearense Libertadora” e jornais como o Libertador
se destacam pela luta contra a escravidão. Mas
foi a firmeza do mulato jangadeiro Chico da Matilde
que ultrapassou os limites da província e alcançou
o Império, mostrando a força da resistência
nordestina que consagrou o maior herói popular
da história abolicionista do Ceará.
O Dragão do Mar é filho de Canoa Quebrada,
Aracati. No dia 15/04 de 1839, o pescador Manoel do
Nascimento e dona Matilde Maria da Conceição
receberam com alegria o filho Chico. Poucos anos depois,
aos oito anos, Chico perde o pai e vai morar com outra
família. Aos 20, aprende a ler. Torna-se chefe
dos catraieiros (condutores de bote), trabalha na construção
do porto de Fortaleza, é marinheiro, e finalmente
é nomeado prático da Capitania dos Portos.
Com a deflagração da greve, em 1881, é
demitido. Três anos depois, com a libertação
dos escravos, Chico da Matilde leva a embarcação
Liberdade no barco negreiro Espírito Santo para
o Rio de Janeiro. Mas a Liberdade ganha asas e toma
rumo incerto. O jornalista catarinense Raimundo Caruso,
conta original versão nas páginas do seu
livro Aventuras dos Jangadeiros do Nordeste:
“A jangada Liberdade, de Francisco José
do Nascimento, era a clássica, de troncos. Símbolo
de uma resistência popular vitoriosa no Ceará,
foi levada à Capital do Império a bordo
de um navio mercante e, mesmo viajando no porão,
inaugura a rota das futuras aventuras dos jangadeiros
nordestinos em direção ao Sul. A embarcação
foi exibida nas ruas do Rio de Janeiro, sob os aplausos
da multidão, e pouco depois é doada ao
Museu Nacional, onde foi recebida como valiosa peça
etnográfica (...). Em seguida a jangada foi transferida
para o Museu da Marinha (...), de onde, queimada, feita
em pedaços ou desmontada, desapareceu”.
Até hoje não se sabe o destino da Liberdade,
que uniu cearenses e permanece no imaginário
de todos como a vitória concreta da solidariedade
entre as raças, credos e timbres, do sertão
ao litoral. Ao lado da vela, a imagem guerreira e emblemática
do Dragão do Mar.
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