O Instituto Dragão do Mar - antes Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC) - foi a primeira Organização Social (OS) criada no Brasil na área da Cultura. Vinculado à Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, o Instituto Dragão do Mar é atualmente responsável por gerenciar oito equipamentos culturais no Estado. São eles: o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, a Escola Porto Iracema das Artes, o Centro Cultural Bom Jardim, a Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho, o Cineteatro São Luiz e o Theatro José de Alencar, em Fortaleza; e ainda Memorial Cego Aderaldo, em Quixadá, e Vila da Música, no Crato.



 

Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura

Dentre os equipamentos gerenciados pelo Instituto Dragão do Mar, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura é o maior deles. Com mais de 1,5 milhão de visitantes ao ano, está entre os mais relevantes centros culturais brasileiros e é um dos principais pontos turísticos do Ceará.

O Centro Dragão do Mar está situado num dos mais boêmios bairros de Fortaleza, a Praia de Iracema. São 14,5 mil metros quadrados de área construída para vivenciar a arte e a cultura, visitando exposições no Museu da Cultura Cearense, no Museu de Arte Contemporânea do Ceará e na Multigaleria; se encantando com espetáculos cênicos, no Teatro Dragão do Mar, no Espaço Rogaciano Leite Filho e na Arena Dragão do Mar; assistindo a grandes filmes nas modernas salas do Cinema do Dragão - Fundação Joaquim Nabuco; desbravando o Universo, no Planetário Rubens de Azevedo; e ainda curtindo shows locais, nacionais e internacionais, no Anfiteatro Sérgio Mota, no Auditório e na Praça Verde do Dragão.

Cerca de 90% da programação do Centro Dragão do Mar tem acesso gratuito ou preços simbólicos, com o objetivo de formar plateia nas diversas linguagens artísticas. Através do Instituto, selecionados, todos os anos, centenas de projetos artísticos, compondo assim a Temporada de Arte Cearense (TAC). Essa programação reúne, a cada edição, quase 500 apresentações em Circo, Teatro, Dança, Literatura, Fotografia, Performance, Música, Cinema e Pontos de Cultura. Com a TAC, é opção de arte e cultura de terça a domingo, por aqui. Além da programação realizada por nossa Diretoria de Ação Cultural, o Dragão do Mar recebe também eventos de produtoras locais e nacionais.

18 anos de história

A arquitetura do Centro Dragão do Mar se caracteriza por linhas arrojadas, concebidas pelos arquitetos cearenses Delberg Ponce de Leon e Fausto Nilo. Inaugurado em 28 de abril de 1999, na antiga área portuária da Praia de Iracema, o Dragão do Mar possui hoje em seu entorno bares, restaurantes, lojas de artesanato, teatros e outros centros de cultura, como a Caixa Cultural e o Sesc Iracema.

Espaço destinado ao encontro das pessoas, ao fomento e à difusão da arte e da cultura, o Centro Dragão do Mar foi idealizado, em 1993, pelo então Secretário da Cultura do Ceará e atual Presidente do Instituto Dragão do Mar, o jornalista e antropólogo Paulo Linhares, e o então Governador do Estado do Ceará, Ciro Gomes.

 

 

O Dragão do Mar na história do Ceará

Liberdade. A palavra de ordem dos idos de 1800, no Ceará, também nomeia a jangada que pertencia Francisco José do Nascimento, o Chico da Matilde. A jangada foi levada à capital do Império a bordo de um navio mercante, como símbolo da resistência popular abolicionista nas terras de Alencar. O líder dos jangadeiros cravou seu nome na história como o lendário Dragão do Mar, deflagrando a greve dos seus companheiros. Sua ousadia e coragem paralisaram o mercado escravista no porto de Fortaleza nos dias 27, 30 e 31 de janeiro de 1881. Chico, filho da Matilde tinha, então, 42 anos.

Escultura de Murilo Sá Toledo – Foto: Davi Pinheiro

Boa parte dos livros de História omite que outros ancoradouros e até mesmo esparsas lideranças da elite econômica do Estado tomaram posição idêntica e interromperam o fluxo de escravos em suas regiões e nas fronteiras com outras províncias do Nordeste, como nos conta a História do Ceará,organizado pela socióloga Simone de Souza (p.179). Antes e depois da greve que eternizou o Dragão do Mar, movimentos libertários como a “Sociedade Perseverança e Porvir”, a “Sociedade Cearense Libertadora” e jornais como o Libertador se destacam pela luta contra a escravidão. Mas foi a firmeza do mulato jangadeiro Chico da Matilde que ultrapassou os limites da província e alcançou o Império, mostrando a força da resistência nordestina que consagrou o maior herói popular da história abolicionista do Ceará.

O Dragão do Mar é filho de Canoa Quebrada, Aracati. No dia 15/04 de 1839, o pescador Manoel do Nascimento e dona Matilde Maria da Conceição receberam com alegria o filho Chico. Poucos anos depois, aos oito anos, Chico perde o pai e vai morar com outra família. Aos 20, aprende a ler. Torna-se chefe dos catraieiros (condutores de bote), trabalha na construção do porto de Fortaleza, é marinheiro, e finalmente é nomeado prático da Capitania dos Portos. Com a deflagração da greve, em 1881, é demitido. Três anos depois, com a libertação dos escravos, Chico da Matilde leva a embarcação Liberdade no barco negreiro Espírito Santo para o Rio de Janeiro. Mas a Liberdade ganha asas e toma rumo incerto. O jornalista catarinense Raimundo Caruso, conta original versão nas páginas do seu livro Aventuras dos Jangadeiros do Nordeste:

“A jangada Liberdade, de Francisco José do Nascimento, era a clássica, de troncos. Símbolo de uma resistência popular vitoriosa no Ceará, foi levada à Capital do Império a bordo de um navio mercante e, mesmo viajando no porão, inaugura a rota das futuras aventuras dos jangadeiros nordestinos em direção ao Sul. A embarcação foi exibida nas ruas do Rio de Janeiro, sob os aplausos da multidão, e pouco depois é doada ao Museu Nacional, onde foi recebida como valiosa peça etnográfica (...). Em seguida a jangada foi transferida para o Museu da Marinha (...), de onde, queimada, feita em pedaços ou desmontada, desapareceu”.

Até hoje não se sabe o destino da Liberdade, que uniu cearenses e permanece no imaginário de todos como a vitória concreta da solidariedade entre as raças, credos e timbres, do sertão ao litoral. Ao lado da vela, a imagem guerreira e emblemática do Dragão do Mar.

CENTRO DRAGÃO DO MAR DE ARTE E CULTURA

Rua Dragão do Mar 81, Praia de Iracema - CEP: 60060-390 - Fortaleza/CE - CNPJ: 02.455.125/0001-31
Informações gerais: 55 (85) 3488 8600 / 55 (85) 3488 8608