O Museu de Arte Contemporânea do Ceará recebe obras de grandes artistas locais, nacionais e internacionais.

 

 

 

 

Raimundo Cela – Um mestre brasileiro
Curadoria: Denise Mattar

 


Consertando a rede, Canto do Rio, Niterói, RJ (1947), óleo sobre tela 59,9 x 81,1 cm, Museu Nacional de Belas Artes. Rio de Janeiro - RJ (corte)

 

O advento do Modernismo no Brasil, em 1922, e sua implantação, até o final dos anos 1940, foram responsáveis pela depreciação dos artistas formados em bases acadêmicas. Nessa zona de esquecimento permaneceram, por décadas, excelentes pintores como Eliseu Visconti, Lucílio Albuquerque e Antônio Parreiras. Se isso ocorreu com pintores do eixo Rio-São Paulo, o que dizer de um artista de origem acadêmica que optou por viver e pintar sua terra natal, o Ceará? Essa miopia, finalmente, começa a ser desconsiderada pela crítica, abrindo espaço para a descoberta de grandes talentos esquecidos, como o pintor Raimundo Cela, cuja itinerância Raimundo Cela – Um mestre brasileiro chega no dia 17 de janeiro ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, depois de passar pelo Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado – MAB FAAP e pelo Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Rio de Janeiro. A mostra, com curadoria de Denise Mattar, tem idealização da Galeria Almeida e Dale e patrocínio da MINALBA.

 


Catequese, óleo sobre tela 190 x 200 cm, Acervo Instituto Dragão do Mar

 

A retrospectiva, sucesso de público nas duas capitais, cumprindo sua missão de apresentar aos paulistanos e cariocas a obra do artista, abarca sua trajetória a partir de momentos-chave: o prêmio da Escola Nacional de Belas Artes, a viagem à Europa, o retorno a Camocim, a mudança para Fortaleza e a volta ao Rio de Janeiro. Desenhos, gravuras, aquarelas e pinturas, de todas essas fases, permitem compreender o seu processo criativo.

 

Segundo a curadora da mostra, Denise Mattar, Raimundo Cela é um dos principais criadores da visualidade cearense, ao destacar em sua obra pescadores e jangadeiros e a intensa luz das praias cearenses e as nuvens rosadas do céu equatorial. “Cela descartou a representação do nordestino como o sertanejo miserável e faminto, para mostrar o trabalhador forte e decidido do litoral. Suas composições, minuciosamente construídas, são plenas de ritmo e emoção. Elas reúnem a precisão do engenheiro à sensibilidade do artista, o épico ao cotidiano, a precisão do desenho à energia da cor”, afirma.

 

A exposição reúne obras do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, do Instituto Dragão do Mar, do Palácio da Abolição, do Palácio Iracema, em Fortaleza, e do próprio Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, além de 15 coleções particulares de Fortaleza, Rio e São Paulo. Em contribuição à preservação da memória do artista e de sua obra, o projeto realizou o restauro de quatro obras que serão exibidas ao público pela primeira vez: Rendeira (1931, óleo sobre madeira, 32 x 40,5 cm); Cabeça de vaqueiro (1931, óleo sobre madeira, 38 x 46 cm) e Cabeça de Jangadeiro (1933, óleo sobre madeira, 38 x 46 cm) e Catequese (Óleo sobre tela 190 x 200 cm).

 


Vencendo o escarcéu (1942), óleo sobre madeira 86 x 110 cm, Coleção Particular - Fortaleza, CE (corte)

 

A mostra abre com desenhos e óleos de seus primeiros trabalhos, marcados pela influência do academicismo, ou seja, obras determinadas pelo perfeito domínio da técnica clássica, na composição de telas figurativas, evocações à Antiguidade Clássica e à paisagem brasileira. Nesse setor, destaca-se, entre outras, o Último diálogo de Sócrates (1917), obra premiada pela Escola Nacional de Belas Artes com uma viagem ao exterior.

 

Por causa da Primeira Guerra, a viagem acontece apenas em 1920, justamente o princípio dos anos loucos da capital francesa, onde Cela dedica-se aos estudos da gravura em metal, dando uma nova perspectiva à sua obra, não apenas na técnica, como também na temática. Ao longo dos anos em que permanece na Europa, como o público verá na exposição, seus desenhos, óleos e gravuras retratam cenas da paisagem francesa, como na tela Paisagem de Saint-Agrève (1921), e da realidade parisiense e de seus tipos, em estudos de nus e nos desenhos Ferreiro e Funileiro (1921).

 

Seus trabalhos despertam atenção da crítica parisiense e ele tem obras selecionadas para o Salon des Artistes Français. Nesse momento o artista sofre um AVC que o impede de pintar. Retornando ao Brasil, reside em Camocim e fica sete anos sem pintar. Volta a fazê-lo em 1929 e já realizando a temática que será a sua marca.

 

Um dos grandes destaques da exposição e da obra de Cela, o painel Abolição (1938), estará reproduzido em suas dimensões originais. Primeiro estado brasileiro a abolir a escravatura, em 25 de Março de 1884, o Ceará, terra-natal de Cela, encomenda a ele, em 1938, um painel que simbolize o momento histórico tão marcante para o Ceará e para o Brasil.

 

Raimundo Cela, sendo um moderno, nunca foi um modernista. O valor da arte de Raimundo Cela deve-se ao fato de ter sido concebida à margem das escolas, de não ter sido contaminada pelos modismos passageiros.

 

Nas palavras de Cláudio Valério Teixeira (artista plástico, restaurador e crítico de arte): “Na obra de Cela nada é inocência, tudo é fruto de planejamento, economia e técnica. Mas tudo é também movimento, força, agilidade e graça. Sua arte não procura simplesmente imitar as coisas representadas, é de uma beleza solene, meio melancólica, mas luminosa”.

 

O pintor, após um período em Fortaleza, retornou ao Rio de Janeiro em 1945. Tornou-se professor de gravura em metal da Escola Nacional de Belas Artes, cargo que ocuparia até a sua morte, em 1954. Nesta última fase da carreira, Cela foi duas vezes premiado com a medalha de ouro do Salão Nacional de Belas Artes.

 

Em cartaz de 18 de janeiro a 26 de março de 2016, no Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE). Visitação: de terça a sexta, das 9h às 19h (acesso até as 18h30); e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (acesso até das 20h30). Gratuito.

 

 

 

 

 

 

 

A Arte da Lembrança – A Saudade na Fotografia Brasileira

 


Leila Diniz para o fotógrafo Evandro Teixeira

 

A partir de 18 de janeiro (quarta-feira), o Itaú Cultural e o Museu de Arte Contemporânea do Ceará – Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura abrem para visitação a exposição A Arte da Lembrança – A Saudade na Fotografia Brasileira. Em cartaz até 26 de março, A Arte da Lembrança perfaz um percurso iconográfico deste sentimento pessoal e universal, a saudade, registrado nos trabalhos em exibição em um arco de 80 anos, a partir da década de 1930, nos estados da Bahia, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. A mostra reúne 123 imagens de 36 artistas brasileiros, ou residentes no país, em variados estilos e linguagens. São nomes de representatividade na produção fotográfica do Brasil, como Alcir Lacerda, Alberto Ferreira, Irene Almeida, Luiz Braga, Gilvan Barreto, Paula Sampaio e o cearense Márcio Távora.

 


Lita Cerqueira (Lambe-lambe, 1976, Coleção da Artista)

 

Além da curadoria de Moura, a exposição tem pesquisa de Samuel de Jesus e projeto expográfico de Henrique Idoeta Soares e Érica Pedrosa, do Núcleo de Produção do Itaú Cultural. Ela chega a Fortaleza, seguindo uma itinerância iniciada em São Paulo, com passagens posteriores por Belém e Salvador.

 

A Arte da Lembrança convida o espectador a iniciar um percurso singular em um espaço de associação de ideias onde se juntam as experiências sensíveis que detemos do mundo”, observa o curador. Pernambucano, poeta, fotógrafo e ex-curador de fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo, ele ganhou, em 2014 o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) pela exposição Retumbante Natureza Humanizada, realizada no Sesc Pinheiros com fotos de Luiz Braga, um dos participantes desta mostra. 

 

Para Moura, a tradução de saudade vibra nas imagens selecionadas para esta exposição. “Nos rostos anônimos oferecidos ao passante curioso, dispostos no cenário improvisado de um fotógrafo popular”, diz complementando: “No desvio de uma rua, ou no meio da praça pública, percebemos a estranha sensação do seu limiar imagético.”

 


Alberto Ferreira (Série Brasília - Candango, 1960, Coleção Galeria Leme)

 

Até chegar ao conjunto de obras a serem exibidas, ele fez uma extensa pesquisa em todo o país em acervos particulares e instituições públicas. Reuniu cópias de época e ampliações únicas em pigmento mineral sobre papel algodão, entre outras, tanto em P&B quanto em cor e videoprojeções. No Dragão do Mar, a montagem ocupa todo o primeiro subsolo, com seis diferentes temáticas. Entre elas, o mar, a cidade das décadas de 1940 a 1960 e a morte – esta, abordada não só do ponto de vista humano, mas também material, mostrando o abandono de diferentes espaços.

 

Para citar algumas das obras, encontra-se neste percurso fotos de ambientes desolados, que denotam as marcas recentes da passagem de alguém, feitas pelo cearense Márcio Távora em 2011; Alberto Ferreira retrata em três fotos a construção de Brasília. Rastros de uma família e suas sutis tradições impressas em detalhes são fotografadas pelo premiado fotógrafo oriundo do Pará, Luiz Braga. Vê-se ainda o piso que restou de uma casa destruída no interior do Pernambuco, clicada por Gilvan Barreto em 2011; uma mulher consultando seu relógio, entre outras, diante do cinema na Cinelândia, no Rio de Janeiro, feita por Kurt Klagsbrunn no final da década de 40. Conte-se aqui também as videoprojeções Vazio, realizada por Alberto Bittar, em 2012, e Sonoro Diamante Negro, do ano de 2014, de Suely Nascimento.

 

Há ainda nove obras pertencentes ao acervo do Itaú Cultural e outras quatro fotos selecionadas pelo curador durante a pesquisa para a exposição, exibidas em formato de vídeo-projeção. Elas remontam ao início do movimento modernista na fotografia nacional, nos anos 1940, de autoria de German Lorca, José Oiticica Filho, Ademar Manarini, José Yalenti, Julio Agostinelli e de dois estrangeiros residentes no país, o letão Alexandre Berzin e o austríacoKurt Klagsbrunn. Neste espaço ainda há trabalhos de Luciano Andrade, nascido em 1950, na Bahia, cujo olhar contemporâneo dialoga com o dos demais artistas.

 

Como escreve o curador, são, enfim, registros das cidades e suas demolições, da perda das paredes do tempo, de objetos vazios à mercê da poeira do passado; da ausência e morte de entes queridos por alguém.

 

Em cartaz de 18 de janeiro a 26 de março de 2016, no Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE). Visitação: de terça a sexta, das 9h às 19h (acesso até as 18h30); e sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (acesso até as 20h30). Gratuito.

 

 

 

 

 

 

 

Visitas Educativas


Ação Educativa MAC realiza mediações a partir dos conteúdos das exposições para público espontâneo e agendado. A equipe é formada por Arte Educadores - universitários multidisciplinares – que desenvolvem ações de mediação com Escolas, Projetos, Universidades, ONGs e demais instituições interessadas em visitar o Museu e conhecer mais sobre arte contemporânea.

 

Visitas mediadas para grupos agendados: os educadores propõem para cada grupo, atividades e informações sobre a produção em arte contemporânea e o diálogo entre as obras da mostra.

 

Visitas de orientação para público espontâneo: Todos os fins de semana, às 17h, acontecem ações de mediação com os educadores, tendo como ponto de partida a recepção.

 

 

Informações
mac@dragaodomar.org.br
85 3488 8622

 

 

O agendamento dos museus do CDMAC pode ser feito de segunda a sexta, das 9h às 17h.

Contato: (85) 3488.8621
E-mail: mac@dragaodomar.org.br

 

 

 

Biblioteca de Artes Visuais Leonilson

 

Instalação Waléria Américo

Espaço especializado em artes visuais com cerca de dois mil livros nas áreas de Fotografia, Design, Museologia, História da Arte, Arquitetura e Urbanismo, Moda e Arte Contemporânea.

Serviço gratuito, de terça à sexta, das 9h às 18h.




Estrutura

O MAC conta com trezes salas climatizadas e equipadas com câmeras de segurança. Todos as salas são equipadas com termostato para controle de temperatura e umidade relativa do ar. Tudo dentro dos padrões internacionais exigidos pela nova museologia. O sistema de iluminação - projetado pelo designer Peter Gasper, foi elaborado com equipamentos e padrões técnicos atualizados segundo normas luminotécnicas .

Algumas exposições do MAC também podem ser visualizadas na parte de fora do museu, como viabiliza o projeto Painel Giratório, que convida artistas para delinear peças na rampa giratória do Centro Dragão do Mar.

 

MAC Educativo

No setor educativo do MAC são desenvolvidas estratégias de comunicação entre museu, público e arte contemporânea. O setor orienta, através de monitores, a visita do público às salas, estimula a interpretação e auxilia na formação de um novo olhar sobre a arte. Grupos de escolas públicas e privadas também recebem instruções sobre as obras expostas. Os monitores, estudantes de Arte, Filosofia, Ciências Sociais e Letras, convidam o espectador a desafiar o seu próprio olhar.

O agendamento dos museus do CDMAC pode ser feito de segunda a sexta, das 13h às 18h, pelo telefone 3488.8604.

 

 

Acervo

O MAC intensificou sua campanha de ampliação do acervo, coletando doações e adquirindo peças significativas. Atualmente, conta com mais de mil obras em seu acervo, permitindo, além de pesquisas, a realização de exposições temáticas. As peças são de autoria de artistas plásticos brasileiros e estrangeiros. Também estão sob a guarda do MAC peças da Pinacoteca do Estado e do acervo do pintor Antônio Bandeira.

Profissionais especializados realizam todo um trabalho de acondicionamento, manutenção preventiva e curativa, embalagem e desembalagem de obras em trânsito e documentação de cada peça. Isto confere ao MAC grande importância nacional.

 

Informações técnicas e acessos:

 Área total de 700m²
 Treze salões são equipados com sistemas de iluminação, som e segurança.
 Climatização - 13 máquinas Split de 7,5 TR sendo 10 com controle de umidade regulada na faixa de 45% a 60% de UR (Unidade relativa do ar) e mais uma máquina Split de 5 TR.
 Reserva Técnica - 350m² de área total. É equipada com 04 máquinas SELF de 7,5 TR com controle de umidade para a faixa de 45% a 60% UR (umidade relativa do ar).
 O acesso ao MAC pode ser feito pela entrada principal do Dragão do Mar (Avenida Castelo Branco), pela passarela vermelha ou pelo elevador panorâmico.

 

Informações: 85.3488.8622 / 8624.

 

Catalogação e Conservação de Acervo do MAC patrocinada pelo Petrobras Cultural.

CENTRO DRAGÃO DO MAR DE ARTE E CULTURA

Rua Dragão do Mar 81, Praia de Iracema - CEP: 60060-390 - Fortaleza/CE - CNPJ: 02.455.125/0001-31
Informações gerais: 55 (85) 3488 8600 / 55 (85) 3488 8608