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Setembro de 2010
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Impressões
 

O Impressões é um espaço virtual reservado para contistas, cronistas e escritores em geral que nos emprestam sensações inebriadas, pequenos intervalos mágicos no cotidiano. Se você transforma o mundo em letras, se imprime, impressiona, improvisa, impregna sentimentos, envie seu texto para imprensa@dragaodomar.org.br

MOMENTO CERTO

A primeira vez que o vi, senti que uma nova vida começaria ali.
Estava certa, realmente começara.
Foi uma vida meio desmedida, tão densa e leve ao mesmo tempo
Aprendi que o amor tinha seu nome
Aprendi que felicidade também.
Você, por existir, já me bastava
E que bom ter sido sua escolha
Nós nos escolhemos no momento certo.
A última vez que o vi, senti que uma nova vida começaria ali.
Estava certa, realmente começou.
É uma vida de compasso exato, tão densa e leve ao mesmo tempo
Aprendi que o amor não tem nome
Aprendi que felicidade também não
Você, por existir, já não me bastou
E que bom, havia outras escolhas
Nós nos despedimos no momento certo.
A primeira vez que o beijei senti minha alma saindo de mim
Ela ficou com você
Perdi meu rumo, meus pés já não me obedeciam
Só buscavam encontrá-lo
Tornei-me sua, tornando-o meu
Meu único amor
Independente de toda e qualquer dor.
A última vez que o beijei senti sua alma expulsando a minha
Elas brigaram, choraram e deram as costas
Encontrei um rumo e meus pés, envergonhados, voltaram
Só buscavam descanso
Tornei-me minha, tornando-o alheio de mim
Meu grande amor
Indefeso de toda e qualquer dor.
Hoje concluo que fui feliz em todas as vezes.
Nenhuma delas me causou mal
Pelo contrário...
Causou-me o bem que eu precisava
No momento certo...
Sem atraso , nem antecipação.

Andréia Rocha

Talvez

tem a chuva
a desaguar lá fora
o silêncio do abandono
prato de almoço pela metade
sobre a mesa esquecido
confusão que atordoa e diz: sucumbe
memória que invade
tem a lâmpada fluorescente
prestes a queimar
o pisco de nenhuma lágrima
tem o computador
a querer enviar mensagem
meia resma de papel A4
livros livros livros
sobre a prateleira
o retrato de uma mulher
três por quatro
tem o Lobão e a música “Mais uma vez”
a xícara de café amargo
tem o relógio aos pedaços
trinta cigarros que não se apagam
uma gota de bile, um rastro de vômito
e um cão – com fome – a rosnar

Ivaldo Ribeiro Filho

 

 



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