Foi com ar ubíquo que nos partimos para outros galhos. As noites tantas não quebravam o galho? Expliquem-me o bico. Bueno sempre a dar dos seus palpites: “É sinuca-de-bico. El hombre es um desubicado ”. Não aposto. A posto que não era o jogo que me nutria. Interessava-me o colorido da mesa. Posta ou não. Entretanto o seu único desejo era ter-me preso nas caçapas de sua causa jeans para uso diário. Mal sabia ela que lhe fui constante bola branca. Ela incessantemente me empurrava para longe de seu campo verde-marte. Eu bem ia roto, seguindo sua rota em órbita Del Plata.
Sacro Oficio
O poeta ao poetar
Não atinava que para não chorar
roubava o que lhe sorria
Não sabia fazer poemas
Escrevia fotografia
A duras penas
meditação
Meus olhos acordaram com pressa
Como água de chuva
Torrente sem represa
Meus olhos acordaram urgentes
Deixaram tudo de lado
Agendas, mágoas e espelhos
A solidão dos retratos
Meus olhos permaneceram fechados
o que não foi sorvido, já foi absolvido...
De frente pro crime, um funeral se estabeleceu, um silêncio se fez, um viúvo consolou-se de passado e um órfão absteve-se de futuro. O amante, de longe, apressou a morte e inexplicavelmente sorriu.
___________________________
É muita cruz para pouco ombro
O credo vai gravar um lindo sudário
Precário de viver moribundo
Sobreviver ao carrasco e ao mínimo salário
Em cada clarão uma idéia vaga de luzimento
Aos pés da santa uma sede de camelo
Ébrios ajoelhados para os tonéis do esquecimento
A fealdade assusta o próprio espelho
Na face da mesa a faca
A carne dura sem recreio
Uma alma obesa desmaia
Farta de vã promessa
Dialética entre o fim e o meio
Aluisio Martins