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Exposição: "Memórias da marcha Tremembé"
Arte em Rede apresenta Tapuyas do Siará
06/11/20 às 10h39

"Memórias da Marcha Tremembé" surgiu no diálogo e por demanda dos Tremembé de Almofala. Getulio Tremembé (coordenador da Escola Indígena Maria Venância) lançou uma campanha nas redes sociais com esse tema, com o desafio para as pessoas postarem fotos sobre as edições passadas da Marcha Tremembé. A manifestação, que atraí uma multidão anualmente desde 2003 no dia 7 de setembro, neste ano foi cancelada devido à pandemia. Além de acatar o desafio de Getúlio, o fotógrafo, realizador audiovisual e antropólogo Philipi Bandeira realizou uma live juntamente com as lideranças indígenas para marcar a data e demarcar as telas diretamente de Almofala. O vídeo com as falas das lideranças, mediado por Bandeira e encerrado com o torém pode ser acessado pelo canal do Youtube do Dragão do Mar.

 

 

Para conceber a exposição virtual neste contexto específico de urgência, o diálogo  que se seguiu entre o fotógrafo e o Museu da Cultura Cearense no sentido de determinar um recorte e arranjo curatorial fluiu de forma relativamente orgânica. Mantendo, portanto, a temática acordada com os Tremembé, foram editadas uma série da 2ª Marcha pela Autonomia Tremembé (2005) com uma abordagem mais direta do registro da manifestação, inserindo também uma pequena série do torém em um evento prévio, com olhar documental mais livre. Talvez a composição geral não seja muito "representativa" do trabalho documental do fotógrafo. Todavia, esta é uma ação pontual de retorno e restituição social de um trabalho documental que tem sua relevância não sob a ótica da arte ocidental, mas sob a perspectiva da memória e da cultura indígenas.

 

 

Nas fotografias com suporte de filme 35mm coloridas e digitalizadas de 2005, lideranças históricas, algumas já encantadas, crianças hoje lideranças e o registro de alguns detalhes daquele que seria o evento marcante dos Tremembé de Almofala. Philipi Bandeira era possivelmente o único fotógrafo àquela ocasião e teve a responsabilidade documental de registrar a manifestação, o que traz às imagens uma referência mais forte do fotojornalismo, abordagem que não se vê no restante do acervo imagético. Interessado sobretudo em uma documentação "poética" e compartilhada das culturas indígenas, o fotógrafo apresenta aqui uma série com registros de lideranças lendárias em um momento decisivo do processo de luta dos Tremembé de Almofala. São elas as encantadas Maria Bela e Dona Zeza, os encantados Estêvão e Tarcício Pedro, os mestres da cultura cacique João Venâncio e pajé Luis Caboclo, além de lideranças históricas como Zé Fué, Chico Izide, Chico Cabelo,  Manoel Domingos, Aurineide e Getúlio, entre vários outros que não cabem em uma folha. Sem contar as crianças, hoje jovens lideranças na resistência da cultura do povo Tremembé.

 

Ao voltar à memória da 2ª Marcha, aqui começamos a nos preparar espiritualmente para fazer da 17ª Marcha Tremembé, em 2021, a mais forte e significativa manifestação dos Tremembé de Almofala. Diga ao povo que avance!

 

 

Ficha Técnica

Exposição Virtual "Memórias da Marcha Tremembé"

Fotografias 35mm: Philipi Bandeira

Digitalização 35mm: Elton Gomes

Tratamento de Imagens: Philipi Bandeira e Eric Braga

Curadoria compartilhada: Márcia Bitu Moreno e Ícaro da Silva (MCC)

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